
Eu estava pensando (realmente eu penso demais) sobre as coisas que me aconteceram para eu chegar aqui, estar onde estou, olhar o mundo como olho, ter um sorriso no rosto, mostrar minhas capacidades e auto valorizar POSITIVAMENTE a pessoa que me tornei... Pensar que muitas coisas poderiam ter acontecido antes, mas agora elas aconteceram. Tempo certo.
Por alguns minutos eu entrei em devaneio, foi estranho passar aquele tempo sem saber se eram sonhos ou apenas pensamentos da minha mente em transe, o mais interessante era que eu apenas estava deitada olhando o teto escuro, em um silencio estranho e vagando naquela terra de realidade e ilusões.
Já me aconteceu isso várias vezes, às vezes eram apenas alguns segundos, outras vezes oras a fio...
Não se deixe levar pelos seus devaneios, eles são necessários as vezes, mas não deixe que eles te prendam no mundo das fantasias inconstantes.. a realidade existe para ser vivida, por mais que muitas vezes queiramos apenas acordar e permanecer deitados. Não torne as criações da sua mente a sua realidade, deixe que te puxem para a realidade da vida... Sinta o mundo do jeito que ele é, converse com as pessoas, ajude-as, encontre seu lugar, ande pelo caminho, Deus sabe do que você precisa aqui das suas necessidades como a criação Dele.
Ele sabe sobre as suas falhas e sobre o que você almeja, dê os passos, mas segure na mão de quem irá te levar a vitória. Não caia nos seu devaneio sem ter Alguém que te resgate.
>Palavras de alguém que muitas vezes foi resgatada por Deus. Obrigada Pai.
“Lembrou-se de quando era pequena, das brincadeiras solitárias, de como estranhamente as pessoas a olhavam... Mas não tinha lembranças de antes disso, era como se sua vida houvesse começado naquela charneca, deitada e sozinha no chão, parecendo que o estranho ocorrera indubitavelmente.
Naquela grama molhada se via com um vestido vermelho, que mal cobria o corpo pequeno, mas que agora lhe servia perfeitamente, porém ela nunca o usou e talvez nunca o usaria.
[...]
Pensava em todas as coisas como suas primeiras possibilidades da vida, porém lá em seu intimo havia uma faísca de esperança bastava um suave sopro pra que ela se acendesse, ou pelo menos aquecesse um pouco seu coração gélido.
Frio...
Um vento forte agita sua capa negra.
Frio...
As nuvens se movimentam para o norte.
Frio...
O coração convertera-se em uma pedra de gelo.
Parou e apreciou a beleza daquele momento, quando os humanos prestariam atenção naquela beleza? Quando se pegariam olhando para o céu e apreciando o som do chacoalhar das folhas pelo vento? Quando iriam parar por um minuto e escutar o som da própria voz, do próprio coração, da alma?
Ela não sabia, mas pensava nisso também confirmando que mesmo ela às vezes não escutava a si mesma.
Parou e olhou para o nada que a perseguia. Foram alguns minutos intermináveis em meio ao vazio. Dias melhores viriam? Ela não sabia e estava preocupada com isso, mas o futuro não lhe pertencia não substancialmente...
[...]
Quando ela escrevia ficava minutos a fio tentando imaginar uma vida melhor que a sua, onde suas personagens seriam felizes e encontrariam alguém para amar, aquilo lhe fazia fugir da realidade de ser quem era, lhe fazia vibrar de emoção por coisas que nunca viveria, lhe fazia esquecer... ou se lembrar.
[...]
Cansada deitou na grama a sombra de uma árvore imensa, olhando para as folhas e o céu parecia que ela nada podia ver, estava sendo cegada por suas próprias lágrimas de dor. Aquele parecia mais um momento dos muitos que ela havia vivido, o momento em que se deitava no chão gélido da casa e olhava pro teto tentando imaginar o amanhã, rindo com conversas que não aconteceriam, chorando por um passado que não voltaria.
O coração batia tão forte, que parecia não ser seu, sabia que aquilo não era bom e que só anunciava mais lágrimas.
[...]
O silêncio proporcionou-lhe uma vitória: ouvir o som de seu coração batendo em ritmo lento e ao mesmo tempo apertado.
Vida, a divina vida... pensou com um sorriso triste e sincero.
Era quase uma melodia ao ressoar de uma orquestra, era um momento marcante e aterrador.”
(Fragmento do livro “Destino Inevitável (Calima)”. Autora: Fernanda Maria da Silva)
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